De olho na obra: conheça (e fuja) dos erros em construções
- A execução da obra deve ter o acompanhamento de um profissional habilitado
Nas construções de residências podem ser encontrados problemas decorrentes de projetos mal elaborados, execuções sem o acompanhamento de profissionais adequados, aquisição de material de baixa qualidade ou com defeitos, entre outros. As reformas também tendem a trazer aborrecimentos, se não houver um bom planejamento e se soluções improvisadas acabarem sendo aplicadas.
Para você que quer construir ou reformar sem ter dores de cabeça, o UOL Casa e Decoração elenca os principais erros em construção e reforma e dá recomendações para evitá-los. Fique atento às dicas apontadas por especialistas da área e garanta a qualidade e o desempenho esperados para sua obra!
Não fazer a sondagem adequada do terreno –A sondagem do terreno é essencial para que seja conhecida a capacidade de suporte do solo diante das cargas incidentes da estrutura da edificação a ser construída. Os danos mais conhecidos, que se originam pela falta deste procedimento, são o aparecimento de trincas (ou fissuras e até rachaduras) em paredes e nos pisos devido ao afundamento da superfície, o que ocasiona os chamados recalques da fundação, isto é, os movimentos de diferentes partes da estrutura. Nos casos onde apenas uma parcela da construção sofre rebaixa ou o afundamento é mais pronunciado em uma porção do que em outras há a geração de esforços estruturais não previstos: é o chamado recalque diferencial, que é mais grave e pode levar à ruína da obra. Outra causa possível para o aparecimento das fissuras são asinfiltrações constantes que tendem a ocorrer ao longo do tempo, devido a vazamentos no sistema hidráulico ou impermeabilizações mal executadas e/ou envelhecidas. Por outro lado, a presença de rachaduras ou trincas em paredes e pisos também pode ser consequência de problemas na fundação. Isso acontece quando o alicerce da construção apresenta movimentações, chamadas de recalques de apoio, por terem sido mal projetadas ou mal executadas.Um dos principais fatores determinantes para o surgimento de rachaduras, fissuras e trincas é a falta de juntas de dilatação, em especial, quando pisos e paredes possuem grandes dimensões. Essas estruturas apresentam movimentações e deformações que podem ser causadas pelo processo de endurecimento do concreto e da argamassa, como também pela variação da temperatura ambiente. As juntas permitem que esses elementos possam se movimentar sem que ocorra um estado de fissuração, por isso, devem sempre ser previstas no projeto.
As soluções corretivas para essas marcas em pisos e paredes podem ir de simples reparos como a recomposição da região com a raspagem e preenchimento por massa elástica (a chamada amarração) à recuperação da fundação através, por exemplo, de calçamento da estrutura. Por isso, o recomendado é solicitar o parecer de um profissional para que identifique corretamente o problema e aponte a intervenção necessária.
A impermeabilização é uma fonte inesgotável de problemas para pisos e paredes em uma construção se mal executada: surgimentos de manchas e bolores, ferrugem e apodrecimentos de determinados materiais, descolamento de rebocos e eventuais danos ao sistema de fundação são alguns tópicos de uma extensa lista. No mercado, há diversos tipos de produtos impermeabilizantes, desde aqueles incorporados à argamassa para assentamento até os que são aplicados diretamente sobre as superfícies já construídas. No projeto é necessário que exista a indicação de qual tipo de impermeabilizante deve ser utilizado em cada caso.
A pintura não é feita exclusivamente para a beleza da obra, ela serve como agente preventivo da degradação das estruturas pela ação do tempo. Assim, para conservar as edificações estabeleça uma rotina de retoque ou repintura periódica e consulte a necessidade de reaplicações para os impermeabilizantes junto a engenheiros ou arquitetos.
Um exemplo são os aparelhos elétricos de secar ou modelar cabelos. Os circuitos elétricos nem sempre comportam a alta potência desses dispositivos, o que provoca o desarme dos disjuntores. A forma de resolver o problema é fazer revisões periódicas das instalações elétricas, adequando-as à nova realidade da edificação e às necessidades dos moradores, e não dar espaço para gambiarras.
Por outro lado, nas casas, a planta deve prever o posicionamento correto da caixa d'água, que necessita estar a uma altura suficiente para compensar toda a subtração de pressão da água durante o trajeto nas tubulações. Tal dimensão depende do tipo de construção, por isso, o aconselhável é que haja um projeto hidráulico desenvolvido por profissional habilitado.
Fontes: Douglas Barreto, engenheiro civil e docente do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos); Jefferson Sidney Camacho, engenheiro civil e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Alvenaria Estrutural da Unesp (Universidade Estadual Paulista) – campus Ilha Solteira; e Sara Camacho, arquiteta.
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